4 de dezembro de 2008


UFA! ESTAVA A FICAR PREOCUPADO...

...com os salários dos administradores dos bancos. Numa época de tanta ralação, com toda a gente a descobrir que as fortunas da banca assentam (além da exorbitância dos juros e comissões)em falcatruas de toda a ordem, estes senhores (não há "senhoras" no processo, já que isto de dinheiro exige uma confiança que as mulheres, enfim... Já se sabe...Nem fica bem desenvolver... A mulher, o cavalo e o selim... O fado, etc...) precisam de algum conforto. Saber que em média, quer em bancos públicos, quer privados, um administrador recebe 70.000 euros por mês, já tranquiliza. Bastava ver a sala de entrada (na televisão, claro) do BPP para ter uma noção que estamos a lidar com gente muito acima dos portugueses. 70.000 euros enquanto trabalham e alguns milhões de indemnização quando são despedidos, é um mínimo!
Afinal, agora que tanta gente já vai receber 450 euros brutos... há que manter as distâncias.

ps: entendo agora melhor, a razão porque um ex-bancário, agora poeta muito apreciado pela imprensa cor-de-rosa, se surpreendia com desdém à hipótese de ter de viajar com uma companhia aérea. Não concebia outra coisa que ir em jacto privado. Claro. Agora faz sentido.

1 de dezembro de 2008

A DAMA DO VELHO CHICO

É o nome do livro do escritor Carlos Barbosa, meu amigo de Salvador. Não é fácil ser-se escritor no Brasil. A concorrência de talentos é medonha, tantos eles são. E o desinteresse pela Literatura é grande. Daí que a notícia de que o livro do escritor baiano fará parte do equivalente ao nosso Plano Nacional de Leitura, isto é, será comprado aos milhares e distribuído pelas bibliotecas escolares de todo o Brasil, é uma bela notícia. Deixo em baixo, um excerto que faz parecer Carlos da Maia, uma criança de colo, ao pensar em Maria Eduarda, n'Os Maias.

"O corpo fresco de Daura grudava-se no de Missinho por força do declive natural provocado pela concavidade da rede. Missinho mirava as telhas, qualquer coisa ao alcance dos olhos e tentava não sentir o cheiro próprio do corpo da irmã lavado a sabão de coco, e o calor que aumentava a cada segundo na concha que se juntaram.(...) Procurou não se mexer. Pouco adiantava, pois Daura mexia-se de vez em quando e o braço de Missinho roçava novas regiões, acomodava-se em Platôs, escorregava por ribanceiras profundas..." (edição Bom Texto)

28 de novembro de 2008

A NORTE

Como se sabe, sou um homem do Sul. Na mania do sol, das coisas brancas, da areia nos pés.
Mas, sempre que vou ao Norte do país, deixo-me sempre surpreender pela hospitalidade nortenha. Embora, os centros comerciais estejam a ofuscar progressivamente a paisagem e a forma de lidar entre as pessoas, tal como aconteceu mais abaixo, ainda assim, quer numa pastelaria (enquanto se pede "meia-de-cimbalino" e nos perguntam se queremos o"pãozinho com queijo aquecido") quer quando, espontaneamente, as pessoas oferecem ajuda para as mais diferentes coisas, o Norte, ainda dá cartas. Esperemos que esta generosidade, que deveria ser a sua matriz, permaneça ainda por muito tempo.
Quando subimos no Alfa, ficamos como o coração mais "quêntinho".

26 de novembro de 2008

A REVISTA DA CAIXA GERAL DE DEPÓSITOS

É um clássico. Recebi hoje, 26 de Novembro, o novo número.
Fiquei a saber que o Doc Lisboa vai acontecer... no mês passado, quase ao mesmo tempo de um concerto do José Mário Branco. E, numa sociedade dominada pelas aspirações-caprichos dos filhos, vem um artigo severo sobre "pais que se gerem por valores antigos, de um mundo que já mudou". Muito bom.
A cereja sobre o bolo vem logo na capa, que vem com fundo branco e um desenho ingénuo: "Pinta a tua capa", pedem, entusiásticos. Pena que esta seja impressa em papel plastificado. Há-de ser lindo, se alguma criancinha lhe meter os lápis de cor ou as canetas de feltro em cima.
Calculo que estas pessoas recebam um ordenado para fazer esta revista. O que me parece excessivo.
ps: ou então foram alunos do Vítor Constâncio, no Banco de Portugal: "está tudo em ordem, fizemos um excelente trabalho. E se a realidade insiste em nos desmentir... Olhe, é porque não foi sincera connosco!"

24 de novembro de 2008

KEEP IT ZEN!

Astrólogos, tarólogos e outros divinatólogos estão todos de acordo para a semana que vai começar: Vem aí a desgraceira.
Fazer o quê perante esta unanimidade :)?

21 de novembro de 2008

MEMORIAS DO TEMPO LARANJA

Os mais novos têm sorte: não se lembram do "cavaquismo". Não tanto pelo Cavaco, coitado, chegado de Boliqueime com a sua Maria-Poeta e que fez, genuinamente, o que achava ser melhor para o país. Falo das escolhas erradas nos seus governos: Santana Lopes para as decisões de Cultura (na falta de uma Secretaria Geral da Superficialidade, penso eu...) e, entre outros, este senhor, agora acusado de trafulhices bancárias, para a Secretaria dos Assuntos Fiscais. Quase que dá vontade de rir, sabendo que naquele tempo, os professores universitários defendiam que "não havia evasão fiscal, apenas itens bem ou mal contabilizados". Foi uma época horrível, sob vários pontos de vista. Eu não assisti ao fim dessa era, porque emigrei. Mas não me esqueço da cupidez laranja a alastrar por ministérios, bancas, autarquias, empresas de construção civil... Tudo isto misturado numa orgia de dinheiro, impunidade e despudor. Agora, à medida que o tempo passa, os podres começam a vir ao de cima. É sempre assim, com o lodo.
Mas não nos preocupemos, porque com uma magistratura que faz da forma da letra de lei, o seu deus, sacrificando nela a antiga ideia de justiça, nada acontecerá de extraordinário a este e a outros senhores ex-larápios autorizados (alegadamente, claro). Com dinheiro para pagar os melhores advogados e investigadores, calçadíssimos dentro de um partido importante, só por muito azar chegarão a uma condenação. E nunca, nunca, a pena de prisão efectiva. Essas só apanham os que já rastejam na escala social e que não foram suficientemente espertos para subir para onde a maré não os apanhasse.

20 de novembro de 2008

ESCOLAS

Por razões profissionais estou em processo de visita e desenvolvimento de projecto com as 15 escolas do fundo da tabela nos rankings.
É preciso ir a estes sítios, rodeados de blocos de habitação social ou barracas e perceber que não poderia ser de outra maneira. Como é que se pode pedir a um miúdo que seja razoável a Matemática ou que debite Camões quando ele sabe a todo o momento que terá de olhar por cima do ombro à saída. Ou quando tem a certeza de chegar a uma casa vazia, ou habitada por pais a viver do Rendimento Mínimo e sem vontade de sair dele? Quando roubar, agredir e traficar são palavras que entram nas canções infantis?
Indíos, sim. Mas como ser menino de coro no meio da guerra?

18 de novembro de 2008

PEÇO DESCULPA MAS CHEIRA-ME A ESTURRO.

Não quero ser insistente, mas o debate de ontem na RTP sobre o alargamento do Porto de Lisboa estava à cunha. De homens de fato e gravata. O que é sempre mau sinal. Pela conversa feita, percebeu-se que muito pouca coisa foi estudada e que se está a tentar pressionar uma decisão.
Hoje, quando (ver o post em baixo) vou finalmente meter os jornais no lixo, com toda a publicidade à mistura, deparo-me com uma brochura de luxo, sobre o assunto. Papel couché para explicar por que razão terão de ser desembolsados milhões de euros dos contribuintes (de todo o país) para uma obra que só beneficiará uma empresa. Mais a esturro me cheirou.
Quando vou ver a empresa, descubro (toda a gente já deve saber isto, menos eu...) que pertence ao grupo Mota-Engil, que tem um dirigente socialista (leia-se, do partido que está no governo e que amanhã pode não estar, melhor, melhor, será apressar as coisas)a dirigi-lo. Certamente, uma coincidência.
Eu sei que as fortunas pessoais ligadas aos ganhos com o erário público têm de se fazer. Sempre assim foi, sempre assim será. Cimenteiras em parques naturais, contentores a tapar o rio e por aí fora... Mas se pudessem ser um bocadinho mais discretos, agradecia-se. Talvez aprendendo com os bancos, que nos roubam de toda a maneira e feitio, sem esperança de regulação.

17 de novembro de 2008

DOS JORNAIS

À 2a feira aumenta-se o atraso do que deveria estar a ser feito, lendo o resto dos jornais da semana (teoricamente, está por detrás deste acto, a necessidade de saber o que deve ir para a reciclagem, libertando a casa, blá, blá, blá...).
Do suplemento de Economia do Expresso, retiro 3 ideias.
1. Alguma coisa está a mudar no país, no contexto económico. Há pouco tempo atrás, as notícias seriam sobre a falência de mais uma fábrica de curtumes, o sucesso de uma construtora civil (com os administradores ligados ao PSD, quase de certeza) ou imagens "descontraídas" daquela figura gorda e insuportável do tipo da Noite da Má Língua que tem a mania que percebe de futebol e de moda (tristemente enganado nos dois campos, helàs). Esta edição do suplemento era quase toda sobre empresas e acções ligadas às novas tecnologias. Coisas sólidas, de gente a trabalhar, a ganhar o seu, mas numa escala mundial e inovadora. O que foi bom.
2. Uma notícia era sobre agências de comunicação. O jornalista explicava quem são os as pessoas que ganham dinheiro a controlar a informação das empresas que sai para os jornais. Depois indignava-se com aquelas que vendem aos clientes a ideia de poderem controlar verdadeiramente a coisa, através de conhecimentos no meio jornalísticos ou até de "compra". Terá certamente razão, o nosso Cândido.
3. Um artigo de um jornalista a defender (subentende-se por todo o artigo) a absoluta necessidade de alargar o Porto de Lisboa. Como toda a gente sabe, a ideia é construir uma muralha de contentores, entre a cidade e o rio, para dar lucro a armadores e a várias empresas do sector. A coisa, como sempre, é colocada em termos dramáticos: ou se constrói exactamente como as partes interessadas exigem, ou será a a RUÍNA. Leia-se: "nunca mais barco nenhum virá descarregar a Lisboa SE continuarem as condições com que agora se satisfazem". Sem comentários. Mas é capaz de ligar com o ponto anterior...

16 de novembro de 2008


DA PINTURA
Sempre foi para mim um fonte de mistério. Pelo que revelava ou eu achava que me revelava. Mais tarde porque me permitiu dar forma aos fantasmas que me consumiam por dentro. Depois, quando a escrita apareceu e comeu tudo à sua volta, desapareceu do mesmo modo: misteriosamente, como se nunca tivesse existido na minha vida.
Nos últimos tempos, enquanto aprendo técnicas de óleo, no meio de frutas e naturezas mortas revela-me um novo mistério. O de trazer da sombra ou da luz uma forma que sempre ali esteve. À espera de um pincel desajeitado, mas ainda assim, ansioso pelas pequenas revelações.

14 de novembro de 2008

MUNDO CATITA
Vai finalmente estrear a que é, para mim, a melhor série de televisão alguma vez feita em Portugal.

Um Mundo Catita - Estreia 16/11/2008 RTP2 - 23:30 (vá lá, atendendo à bola vermelha GIGANTE que vão ter e pôr ao canto do ecrã, não passa muito tarde!)

12 de novembro de 2008

DA RAZÃO E DO OVOS

Ao que parece - salvaguardando-se o sensacionalismo dos media (o que se está a tornar uma redundância, já que "media" rima cada vez mais com "disparate", o Cavaco é que tinha razão em só ler os títulos e ir trabalhar)- uma horda de adolescentes cercou o carro da ministra da educação e encheu-o de ovos.
Devo dizer que a coisa não me surpreende.
Por um lado, os néscios, filhos de néscios que sugam a teta cada vez mais cansada da escola, precisam de se entreter. Ainda mais com uma actividade que os prepara para a universidade, ou seja, para as praxes, arruaças e bebedeiras até ao coma.
Por outro lado, a teimosia da nossa Umbridge (ver "Harry Potter e a Ordem da Fénix") está pedi-las. A pôr-se a jeito para a turba ignara e manipulável.
Manuel Alegre, que raramente acerta uma, está certo quando diz que a razão não pode estar só de um lado. E quando acrescenta que mesmo quando assim é, não se pode governar contra todos.
Marçal Grilo, ontem, também descobriu a pólvora, ao afirmar "com franqueza" que esta luta já não tem a ver com a matéria de facto, mas com o descontentamento e desânimo de quem quer dar aulas e também, bastante, com oportunismo político. Óbvio. Primeiro foram os sindicatos, liderados pelo último homem de bigode em Portugal, que resolveram colher dividendos. Depois foi, a oposição (já que pela apresentação de propostas não vai lá, então que a pega seja de cernelha; que se rabeje o touro da contestação.
Por último, são as nossas "criancinhas" que andam chateadas com as faltas.
No meio de tudo isto, os professores. Os dedicados e os outros.
Já toda a gente acha que se "deve ser avaliado", só não concordam com o modelo. Sobretudo porque assenta entre a "quase certa maldade e inveja" de colegas.
São os mesmos que recusaram a avaliação externa (por exemplo como a das escolas privadas que têm certificação de qualidade e que vêem os seus procedimentos e práticas escrutinadas ao milímetro), mas que também não querem interna. Os mesmos que se queixam (e com razão) que muitos dos lugares dos conselhos executivos são ocupados por incompetentes que ali chegaram por terem usado o seu tempo para tudo, menos para dar aulas e que não fazem um boi de ideia de como gerir orçamentos e propostas de actividades de formação, por exemplo. Mas que recusaram os gestores externos.
Na verdade, são um bocadinho como os meninos que aturam: querem e não querem. E é nesta indecisão; através deste buraco de vontades que avança a Ministra, que entram os pais de nariz levantado e por onde se safam os adolescentes alarves.
Atirar ovos e cercar carros é só o princípio. A anarquia e o desvario, de vários lados, desceram totalmente à escola.
Pode ser que seja bom. Às vezes é preciso que tudo rebente para que o barulho do estrondo chame as pessoas à razão.

8 de novembro de 2008


MOMENT OF ZEN

Não vou mentir: estou a torcer a 100% por mais uma candidatura de Santana Lopes à Câmara de Lisboa.
Numa altura de crise, a chegada de um clown com um historial destes é sempre bem-vinda.
É começar a preparar já para a risota!
O MAR POR CIMA

A Julie, amiga e leitora do blogue, dos USA (e vilanovense de família e coração) enviou-me o link para este vídeo.
Para os que leram O MAR POR CIMA, talvez se faça alguma luz :)

7 de novembro de 2008

ASSOCIAÇÃO DE ESCRITORES ANÓNIMOS QUE NÃO TÊM TEMPO PARA ESCREVER PORQUE USAM TODA A ENERGIA PARA METER A SOPA NO PRATO DOS FILHOS

"Olá, o meu nome é Possidónio Cachapa, e estou sem escrever há 89 dias"
OBAMA

Parece-me bem.

2 de novembro de 2008

LADOS DO CÉREBRO

Enquanto preparava uma aula para os meus alunos de Processos Criativos, descobri este vídeo sobre o uso preferencial de um dos lados do cérebro.
Os que usam mais o lado direito (criativos) verão girar na direcção dos ponteiros do relógio, os outros (mais lógicos) verão o contrário.
Mas a coisa espantosa está no momento em que fixamos a sombra dos pés, no chão. Nessa altura, ela muda de direcção...
Experimentem.

1 de novembro de 2008

QUERO IR À PRAIA

O livro que publiquei na Caminho está a concurso no Festival de BD da Amadora, para Melhor Ilustração. Acho justo. A forma como o Luís Henriques interpretou as imagens contidas no texto e as outras que lá não estavam, foi muito boa. Parabéns, Luís.

CRIAR

Nos últimos tempos não tenho conseguido escrever nada. Primeiro foi o filme, depois, os compromissos alimentares, agora, as aulas...
É nestas alturas que se começa a sonhar com a fuga para o meio da selva. Lá, onde se poderia escrever. Lá, no lugar que não existe.
(suspiro)
Vou ter de arranjar maneira de alimentar a fome de escrita.
A CARA NO LIVRO

Como se sabe, embirro com todas as novidades que envolvem a palavra "face". Houve um tempo em que não me chateava, mas o crescimento da futilidade e a promoção da "tonteria" nos últimos anos, atacaram-me bastante a paciência.
Contudo, esta semana, aderi ao Facebook. E está a ser uma experiência simpática. Veremos se tem virá dali alguma coisa de útil. Mas ao menos, ficamos rodeados de rostos amigáveis sem sair de casa.